Sobre ser tia…

Escrever sobre o sentimento mais profundo, incondicional e arrebatador que sinto. Isso é esse texto pra mim.                                                                

Para começar, vale dizer que não sou mãe e que talvez isso faça eu sentir tão profundamente tudo que sinto pelos meus pequenos. E acho que também vale compartilhar que sou irmã gêmea da mãe dos meus sobrinhos. Univitelinas, nascidas com apenas 3 minutos de diferença.                  

Eu e a Mi sempre tivemos uma conexão e cumplicidade gigantescas. Passamos por todas as fases da infância e adolescência juntas. Primeiro acampamento da escola, primeira paixão, as competições de natação, primeiras festinhas,  entrada na faculdade, aulas de inglês e espanhol e todas as alegrias, medos, incertezas e conquistas que essas fases trazem para nossas vidas.                                                                      

No começo da fase adulta, porém, começamos a viver momentos um pouco diferentes. Ela se casou. Eu continuei solteira. Eu casei e ela permaneceu casada. Ela engravidou. E eu me separei.  E foi nesse período, quando nossas vidas tomaram rumos tão distintos, que nos aproximamos da forma mais visceral das nossas vidas. Através de um sentimento que nenhuma de nós tinha sentido até então. Um amor que faz o coração bater fora do peito, que faz tudo parecer que não fazia sentido até então, que dá um medo e uma alegria difíceis de descrever em palavras.                                    

Me lembro que logo que o Arthur foi pra casa (meu primeiro sobrinho que hoje tem 4 anos e meio), nós ficávamos olhando pra ele no berço e tendo acessos de choro e risos juntas, tentando entender tudo aquilo que estava acontecendo. E a única coisa que tínhamos certeza é que ela tinha se tornado mãe e eu tia-gêmea.                                           

Desde então, muitas descobertas e evoluções aconteceram e ver cada uma delas é uma alegria sem fim. Depois do Arthur veio a Alice, que hoje está com quase 2 anos e já mostra desde bem pequenininha que gênio forte vem de berço. Eles me chamam de um apelido que o Arthur me deu assim que começou a falar: Nine. E cada vez que ouço algum dos dois me chamar assim parece que meu coração vai sair pra fora da boca de tanto amor. Parece que ele fica tão grande que não vai mais caber no peito.  Mas cabe. Cabe e continua lá, batendo mais forte cada vez que um carinho é retribuído, que um sorriso é dado de maneira sincera, que um abraço é dado para demonstrar o carinho, amor e agradecimento, que uma brincadeira termina e eles falam: de novo Nine. E assim vou acompanhando – o mais de perto possível – o como é divino ver um ser humano se formar, como é especial ver o amor entre irmãos brotar de maneira pura e deliciosa e como é maravilhoso sentir esse sentimento.                

Hoje, prestes a completar 35 anos, sempre que penso em tudo que conquistei até aqui como mulher, profissional e ser humano, sempre chego à conclusão que ser tia desses dois é a maior riqueza que eu poderia ter. É a maior benção que eu poderia viver. Nada é mais importante do que estar com eles. Nada me faz sentir tão viva, tão presente, tão tia.                                

Texto por Aline Rossin. 

www.coloreh.com.br

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